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Backrooms: como uma imagem perturbadora da internet se transformou em fenômeno do terror

Paredes amareladas, carpete manchado, luzes fluorescentes e corredores que parecem não levar a lugar algum. Não existem janelas, móveis ou qualquer sinal de perigo. Mesmo assim, alguma coisa parece profundamente errada.

Essa é a essência das Backrooms, um universo de terror que nasceu com uma fotografia publicada na internet e cresceu por meio de histórias, vídeos e jogos criados coletivamente.

Uma lenda que começou com uma sala vazia

A história começou em maio de 2019, quando uma fotografia de um espaço comercial vazio apareceu em uma discussão do fórum 4chan dedicada a imagens inquietantes.

Outro usuário respondeu criando uma pequena história. Segundo o texto, se alguém atravessasse a realidade acidentalmente, acabaria nas Backrooms, um labirinto aparentemente infinito preenchido pelo ruído das lâmpadas, o cheiro do carpete e a sensação de que algo poderia estar escondido nas proximidades.

A publicação utilizava o termo “noclip”, conhecido entre jogadores. Nos videogames, isso acontece quando um personagem ignora as barreiras físicas do cenário e atravessa paredes ou pisos. Nas Backrooms, esse erro aconteceria no mundo real.

Você pisaria no lugar errado e simplesmente desapareceria.

A origem real da fotografia

Durante anos, ninguém sabia exatamente onde a imagem havia sido registrada. O mistério terminou em 2024, quando usuários encontraram sua origem.

A fotografia foi tirada durante a reforma de um antigo espaço comercial em Oshkosh, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. O local já havia abrigado uma loja de móveis e estava sendo preparado para receber uma unidade da HobbyTown.

Saber que o ambiente existiu de verdade não diminuiu seu impacto. A sala continua parecendo uma lembrança incompleta, como um lugar visitado durante a infância que não conseguimos localizar.

Por que as Backrooms causam tanto medo?

As Backrooms fazem parte de uma estética conhecida como “espaço liminar”.

Corredores, estacionamentos, escolas, hotéis e centros comerciais são ambientes de passagem. Quando aparecem completamente vazios, especialmente em horários inesperados, tornam-se estranhamente desconfortáveis.

As Backrooms levam essa sensação ao extremo. O espaço parece ter sido construído para alguma finalidade, mas não existe um destino esperando no fim do corredor.

O medo não está apenas na possibilidade de encontrar uma criatura. Está na ideia de caminhar para sempre por um lugar familiar que não deveria existir.

Kane Pixels transformou a lenda em experiência

Em janeiro de 2022, Kane Parsons, conhecido como Kane Pixels, publicou no YouTube o curta The Backrooms (Found Footage).

O vídeo acompanha um jovem cineasta que atravessa acidentalmente a realidade e acaba preso nos corredores amarelos. A história é apresentada como uma fita encontrada, com imagens tremidas, interferências e aparência de uma gravação antiga.

Parsons criou os ambientes digitalmente usando Blender e Adobe After Effects. O resultado parecia uma filmagem realizada dentro de um espaço físico enorme e abandonado.

O curta conquistou dezenas de milhões de visualizações e deu origem a uma série sobre a Async Research Institute, organização fictícia que investiga as Backrooms.

Da internet para o cinema

O sucesso chamou a atenção da A24, produtora responsável por filmes como Hereditário e Midsommar. O projeto foi transformado em um longa dirigido pelo próprio Kane Parsons.

O filme acompanha um vendedor de móveis que encontra uma porta estranha no porão de seu estabelecimento. A passagem leva a uma rede infinita de salas conectadas, onde o tempo e a realidade não funcionam normalmente.

Chiwetel Ejiofor interpreta o homem que desaparece no labirinto, enquanto Renate Reinsve vive sua terapeuta. O elenco também conta com Mark Duplass, Finn Bennett e Lukita Maxwell.

Para transportar esse universo ao cinema, a produção construiu milhares de metros quadrados de cenários físicos. A escolha permitiu que os atores realmente se sentissem perdidos no ambiente, preservando a sensação de escala dos vídeos originais.

É preciso assistir aos vídeos antes do filme?

Não. O longa apresenta sua própria história e pode ser acompanhado por quem nunca teve contato com as Backrooms.

Mesmo assim, vale assistir a The Backrooms (Found Footage). O curta possui poucos minutos de duração e mostra por que o trabalho de Kane Parsons chamou tanta atenção.

Quem quiser conhecer mais pode continuar pelos outros vídeos do canal, que ampliam os mistérios daquele mundo e apresentam as investigações da Async Research Institute.

Uma nova forma de criar lendas

As Backrooms representam uma mitologia construída pela internet.

A imagem foi publicada anonimamente, a primeira história surgiu em um fórum, diferentes comunidades criaram níveis e criaturas, e Kane Parsons desenvolveu uma interpretação própria por meio de vídeos.

O filme não encerra essa história. Ele é apenas mais uma porta dentro do labirinto.

Talvez esse seja o aspecto mais assustador das Backrooms: a sensação de que, em algum lugar, existe uma passagem escondida para aqueles corredores.

E qualquer parede pode ser a entrada.

Guilherme Esteves
Sobre quem escreveu

Guilherme Esteves

Guilherme Esteves é escritor, profissional de marketing e Head de Conteúdo do Portal Espectro. Apaixonado por cultura pop e boas histórias, escreve sobre livros, filmes, séries, games e tudo aquilo que merece ser descoberto, comentado e compartilhado.

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