Entre o romance de Garrett e Hannah, as amizades em Briar e as escolhas da adaptação, descobri que é possível gostar de uma mesma história de duas maneiras diferentes.
Eu conheci Off-Campus por causa da série. Ao contrário de quem leu os livros há anos e esperou muito tempo para ver aqueles personagens ganharem vida, fui descobrir o universo de Briar pouco antes de assistir à adaptação. Li os livros, me apeguei aos personagens e fiquei curiosa para ver como tudo aquilo funcionaria na tela.
E funcionou para mim.
É claro que fiz comparações enquanto assistia. Algumas mudanças me surpreenderam, outras me deixaram com dúvidas e teve uma, em especial, que realmente me incomodou. Mas não passei a primeira temporada procurando uma reprodução exata do que tinha lido. Queria reencontrar personagens de quem eu já gostava e descobrir o que a série faria com eles.
O resultado foi uma experiência muito gostosa. Tanto que, ao rever o primeiro episódio, me peguei sorrindo de novo com a dinâmica entre Garrett e Hannah. Acho que isso resume bem o que sinto por Off-Campus: é um universo ao qual tenho vontade de voltar.
Garrett e Hannah: o carinho antes do romance
Uma das coisas que mais me conquistam em um romance é perceber o carinho surgindo antes mesmo de os personagens entenderem o que sentem um pelo outro. Gosto dos pequenos gestos, das brincadeiras que começam a ganhar outro significado e daquela atenção que aparece quase sem querer.
É exatamente isso que encontro na relação entre Garrett e Hannah.
A aproximação dos dois começa por interesses bastante claros: ele precisa de ajuda nos estudos, enquanto ela quer chamar a atenção de Justin. Nenhum dos dois entra naquele acordo esperando se apaixonar. Só que, aos poucos, a convivência deixa de ser uma troca de favores e se transforma em algo muito mais interessante.
Na série, há uma cena do primeiro episódio de que gosto especialmente. Hannah está numa situação constrangedora depois de molhar a blusa branca, justamente quando tenta conversar com Justin. Garrett percebe o que está acontecendo e se aproxima para ajudá-la, aproveitando o momento para colocar a proposta do acordo em prática.
Ele ainda não está apaixonado por ela. Não é uma grande declaração romântica. É só um gesto de ajuda, mas é justamente esse tipo de momento que me faz gostar de acompanhar um casal.
A química entre os atores também contribui muito. As provocações, as conversas e a maneira como Garrett e Hannah vão ficando à vontade um com o outro fazem a relação parecer natural. Não é apenas uma questão de torcer para que eles fiquem juntos; é gostar de vê-los dividindo a mesma cena, mesmo quando não está acontecendo nada extraordinário.
Mas o que torna esse romance especial para mim vai além dos momentos leves. Gosto de como os dois encontram espaço para compartilhar experiências difíceis e acolher um ao outro.
No livro, Hannah ajuda Garrett a atravessar lembranças dolorosas ligadas ao Halloween, enquanto ele se torna alguém com quem ela consegue conversar sobre a violência que sofreu na adolescência. A série reorganiza parte desse desenvolvimento e não reproduz todos os acontecimentos, mas senti que conseguiu preservar algo essencial: a confiança que eles constroem.
Garrett e Hannah não se aproximam apenas porque existe atração. Eles passam a se conhecer, a respeitar os limites um do outro e a encontrar apoio naquela relação. É isso que faz o romance funcionar para mim nas duas versões.
Briar é muito mais do que um casal
Por mais que Garrett e Hannah sejam o centro da primeira temporada, seria impossível falar do que me conquistou em Off-Campus sem mencionar as amizades.
Eu adoro a convivência do grupo. Os rapazes brincam, se provocam e fazem besteira, mas também estão presentes quando um deles precisa de ajuda. Existe um carinho entre eles que aparece tanto nos momentos divertidos quanto nas situações mais difíceis.
A amizade entre Garrett e Logan, por exemplo, é uma das relações de que mais gosto. E isso não se limita aos livros: na série, a dinâmica entre os atores me fez acreditar naquele grupo de amigos.
Aliás, acho que esse é um dos grandes encantos da adaptação. A química do elenco não funciona apenas nos casais. Ela também aparece nas cenas em que os personagens estão juntos, conversando, brincando ou simplesmente convivendo.
É muito gostoso assistir a uma história em que a gente não quer acompanhar somente o casal principal. Eu também quero saber o que vai acontecer com os amigos, como as relações entre eles vão mudar e quais histórias ainda estão por vir.
Talvez seja por isso que tenha sido tão fácil voltar ao primeiro episódio. Não é só o romance que me faz querer retornar a Briar. É a vontade de passar mais um tempo com aquele grupo.

As mudanças que me fizeram olhar para a história de outra forma
Como li os livros antes de assistir à série, algumas diferenças chamaram minha atenção. Mas, para mim, uma adaptação não precisa reproduzir cada acontecimento para funcionar.
Livros e séries contam histórias de maneiras diferentes. O livro tem espaço para explorar pensamentos, detalhes e situações que nem sempre cabem na televisão. Além disso, O Acordo foi publicado anos antes da adaptação, e algumas escolhas da série parecem buscar uma forma de contar aquela história para o público de hoje.
Um exemplo é Justin. No livro, ele é um jogador de futebol americano e o interesse amoroso inicial de Hannah. Na série, ele é músico, o que o aproxima diretamente de uma parte importante da vida dela.
Estranhei a mudança no começo, mas, pensando na temporada como um todo, ela não prejudicou minha experiência. Justin continua tendo um papel na aproximação de Garrett e Hannah, mesmo que sua presença na história seja construída de outra maneira.
Outra escolha que me fez pensar foi a forma como o relacionamento dos protagonistas chega ao término.
No livro, a interferência do pai de Garrett tem um peso decisivo na separação. Na série, o conflito se concentra no medo que Garrett sente de reproduzir o comportamento do pai e acabar machucando Hannah.
Confesso que, num primeiro momento, não gostei tanto dessa alteração. Depois, comecei a enxergar melhor o que a série estava tentando desenvolver. Garrett não está pensando apenas no relacionamento: ele também está lidando com o medo do tipo de pessoa que pode se tornar.
Isso não significa que terminar seja necessariamente a melhor maneira de enfrentar esse medo, mas passei a entender o conflito que a adaptação quis colocar em destaque. Foi uma daquelas mudanças sobre as quais minha opinião se transformou depois que parei para pensar um pouco mais.
Também percebi uma diferença interessante na maneira como a série trata certas atitudes de Garrett. No livro, há momentos de possessividade que fazem parte da dinâmica do casal e dos quais, confesso, até gostei durante a leitura. A adaptação escolhe abordar algumas dessas situações de outra forma, dando mais espaço para a autonomia de Hannah.
É um assunto que me faz pensar sobre como os personagens masculinos e os relacionamentos vêm sendo retratados nos romances, mas essa discussão merece uma matéria só para ela.
E o que esperar das próximas temporadas?
Se algumas mudanças já consigo avaliar pelo que assisti, outras ainda me deixam com perguntas. E a principal delas envolve Logan.
Nos livros, a situação do pai, o trabalho na oficina e o acordo que Logan tem com o irmão são fundamentais para entendermos o peso que ele carrega e as escolhas que acredita precisar fazer em relação ao próprio futuro. Não são apenas detalhes sobre sua família: essas responsabilidades fazem parte do conflito central do personagem.
Na série, essa configuração é bastante diferente. Logan tem uma irmã que estuda na faculdade, enquanto sua mãe está em uma clínica de reabilitação. Quando percebi a mudança, minha reação foi pensar: tá, mas como vão desenvolver a história dele agora?
É claro que a primeira temporada não é sobre Logan. Não seria justo exigir que a série já tivesse apresentado todo o arco de um personagem cuja história ainda está por vir.
Minha preocupação não é que a adaptação tenha mudado um detalhe do livro. É que ela alterou elementos que, para mim, ajudam a explicar quem Logan é e por que ele toma determinadas decisões. Estou curiosa para descobrir como a série vai construir esse conflito a partir da nova realidade familiar dele.
Também gostei de ver Dean e Allie recebendo espaço desde cedo. Ao mesmo tempo, fiquei curiosa para saber como a adaptação pretende conduzir a história dos dois, já que algumas situações foram reorganizadas.
A participação de Hunter Davenport também me deixou com perguntas. Ainda não entendi exatamente aonde a série quer chegar com o arco apresentado para ele, mas talvez essa seja justamente uma daquelas escolhas que só farão sentido quando tivermos mais capítulos da história.
Por enquanto, prefiro guardar essas dúvidas e descobrir o que as próximas temporadas vão fazer com os personagens. A primeira temporada me apresentou uma versão de Off-Campus de que gostei muito, mas ainda há histórias que precisam de espaço para se desenvolver.
Uma história à qual quero voltar
Quando penso em Off-Campus, não sinto que preciso escolher entre os livros e a série. Gosto das duas versões, mesmo reconhecendo suas diferenças.
Os livros me deram tempo para conhecer os personagens, acompanhar seus pensamentos e me apegar às relações que eles constroem. A série trouxe outra experiência: ver aquele grupo interagir, ouvir as provocações, perceber os olhares e acompanhar a química dos atores transformando em cenas momentos que eu havia imaginado durante a leitura.
Algumas mudanças funcionaram para mim, outras ainda me deixam curiosa. Mas nada disso apaga o quanto me diverti assistindo à primeira temporada.
No fim, o que mais me conquistou foi encontrar, nas duas versões, aquilo de que tanto gosto em um romance: o carinho que surge nos pequenos gestos, a confiança que se constrói aos poucos e as amizades que fazem a gente querer continuar naquele universo mesmo depois que a história do casal principal termina.
E, se rever o primeiro episódio já me fez sorrir outra vez, acho que ainda vou passar bastante tempo em Briar.