Quando uma influenciadora anuncia que vai começar a cantar, parte da internet costuma reagir com desconfiança. Antes mesmo de ouvir o primeiro lançamento, surgem questionamentos sobre talento, preparo e até onde os seguidores estão sendo usados para conquistar espaço na música.
Renata Schneider enfrentou esse tipo de reação, mas sua trajetória mostra que ela não descobriu a arte depois da fama.
Atriz, cantora, bailarina, contorcionista e coreógrafa, Renata utiliza a internet para apresentar um trabalho construído ao longo de anos. Mesmo com uma discografia ainda pequena, ela já entrega músicas com conceito, interpretação, dança e uma identidade visual própria.
Quem é Renata Schneider?
Natural de Alto Feliz, no interior do Rio Grande do Sul, Renata começou a publicar conteúdos na internet ainda adolescente. Seus vídeos sobre dança, alongamento, rotina artística, humor e veganismo conquistaram milhões de seguidores em diferentes plataformas.
Paralelamente, ela construiu uma carreira nos palcos. Renata participou de produções como Korvatunturi, Renas Pra Que Te Quero, A Lenda do Bosque de Natal e Peter Pan: Crescer é Preciso, no qual interpretou Aria.
Em 2026, viveu Glinda em uma montagem de O Mágico de Oz e interpretou Alice em Elyntra: O Resgate de Rapunzel. Ela também assinou as coreografias de Elyntra ao lado de Laura Binder.
Por isso, talvez seja mais correto dizer que Renata não saiu da internet para tentar ser artista. Ela utilizou a internet para mostrar uma artista que já estava sendo formada havia anos.
Uma carreira musical com identidade
Renata iniciou sua discografia autoral em maio de 2025, com Boneca Russa. Desde então, lançou quatro composições principais, além de uma versão acústica da faixa de estreia e de sua adaptação em inglês, Russian Doll.
Suas músicas falam sobre perfeccionismo, necessidade de aprovação, ambição, insegurança e o desgaste de tentar transformar um sonho em carreira.
Para o ranking, consideramos apenas as quatro composições diferentes. As versões acústica e em inglês de Boneca Russa ficam como complementos dessa primeira fase.
4. Decadente
Lançada em julho de 2026, Decadente fala sobre a rotina exaustiva de quem tenta construir uma carreira artística em São Paulo.
Aluguel, trabalho, terapia, falta de tempo e medo do fracasso aparecem em uma letra que mistura frustração e ironia. É a música mais madura de Renata até agora, mas ocupa a quarta posição apenas porque as outras faixas nos conquistaram mais rapidamente.
3. Protagonista
Protagonista aposta em um pop inspirado nos anos 2000, com uma energia que recorda artistas como Kelly Key.
A música acompanha uma mulher que coloca a carreira como prioridade, mas procura conforto nos relacionamentos quando os planos profissionais não dão certo. É leve, divertida e dançante, mesmo escondendo certa insegurança por trás de sua aparente confiança.
2. Boneca Russa
Em sua estreia musical, Renata apresentou diferentes versões de si mesma.
Boneca Russa fala sobre as camadas escondidas dentro de uma pessoa. O videoclipe contrasta uma bailarina delicada com uma figura sombria relacionada à pressão estética, às lesões, à obsessão pela perfeição e aos problemas de autoestima presentes no universo da dança.
A música reúne dança, interpretação, figurino e narrativa visual. Foi uma estreia ambiciosa e deixou claro desde o início que Renata não pretendia apenas gravar uma faixa e publicá-la nas plataformas.
1. Maquininha
Maquininha é a nossa música favorita de Renata Schneider.
A faixa fala sobre alguém que modifica a aparência e o comportamento para se transformar na pessoa que o outro deseja. A imagem de uma máquina montando cada peça torna a mensagem simples, visual e fácil de reconhecer.
É uma música pop acessível, com personalidade e um conceito que combina perfeitamente com a teatralidade de Renata. Vulnerável sem perder a ironia, Maquininha ocupa o primeiro lugar, seguida muito de perto por Boneca Russa.
Muito mais do que uma influenciadora que canta
É compreensível que o público tenha desenvolvido alguma resistência diante de tantas personalidades da internet iniciando carreiras musicais. Ter seguidores não transforma automaticamente alguém em cantor ou performer.
No entanto, reduzir Renata Schneider a uma “influenciadora que resolveu cantar” significa ignorar sua formação e tudo o que ela apresenta em seus projetos.
Renata entrega conceito, interpretação, dança, identidade visual e versatilidade. Sua discografia ainda está começando e certamente possui espaço para evoluir, mas já revela uma artista interessada em construir algo próprio.
Entre a teatralidade de Boneca Russa, a vulnerabilidade de Maquininha, a energia de Protagonista e o desgaste urbano de Decadente, Renata mostra que consegue explorar diferentes lados sem perder sua identidade.
Agora queremos saber: qual é a sua música favorita de Renata Schneider?