Algumas cidades escondem segredos. Outras parecem ter sido construídas sobre eles.
Em O Outro Lado das Águas, livro de fantasia escrito por Guilherme Esteves, o leitor é apresentado a Quedas Douradas, uma pequena comunidade cercada por florestas, rios e cachoeiras. À primeira vista, o lugar parece tranquilo. Entretanto, quanto mais conhecemos seus moradores, mais percebemos que existe algo muito maior escondido entre suas águas.
É nesse cenário que acompanhamos Marcus e Bernardo, dois jovens de 18 anos cuja aproximação acontece enquanto acontecimentos cada vez mais estranhos começam a abalar tudo aquilo que eles acreditavam conhecer.
Com uma misturando de fantasia, romance LGBTQIA+, mistérios familiares e elementos sobrenaturais, o livro inicia uma história sobre amadurecimento, descoberta e os perigos que podem surgir quando alguém atravessa limites que deveriam permanecer intocados.
Uma cidade escondida no meio da floresta
Quedas Douradas não é apenas o lugar onde a história acontece. A cidade funciona quase como uma personagem.
Com poucos habitantes a comunidade parece existir em um ritmo próprio. Não há o movimento de carros ou a estrutura de uma grande cidade. Cavalos são utilizados para transportar cargas, a eletricidade funciona de maneira improvisada e as cachoeiras fazem parte da vida cotidiana dos moradores.
A água está por toda parte.
Ela atravessa a paisagem, acompanha os personagens e ajuda a construir a sensação de que alguma coisa está sempre se movimentando abaixo da superfície.
Entre as quedas conhecidas pela população existe uma cachoeira mais afastada, escondida em uma região pouco frequentada. Atrás dela está algo que pode alterar completamente a compreensão de Marcus sobre sua família, sua cidade e o mundo em que vive.
Marcus e o peso de uma vida cercada pelo poder
Marcus Ferreira tem 18 anos e cresceu próximo ao centro político de Quedas Douradas. Ele é filho de Hernando, governador e general da cidade, uma figura respeitada por sua autoridade e influência.
Por causa dessa posição, Marcus vive cercado por expectativas. Para os outros moradores, ele faz parte de uma família poderosa e aparentemente bem estruturada. Por dentro, porém, existem dúvidas, silêncios e segredos que nunca foram explicados completamente.
Marcus não inicia sua jornada como um herói preparado para enfrentar o desconhecido. Ele é um jovem tentando compreender o que sente, aquilo que esperam dele e por que sua relação com a natureza parece diferente da de todas as outras pessoas.
Quando seus poderes começam a despertar, essas perguntas deixam de poder ser ignoradas.
Uma magia que exige mais do que palavras
Em muitas histórias de fantasia, a magia aparece por meio de feitiços decorados ou objetos encantados. Em O Outro Lado das Águas, ela está ligada ao corpo, à respiração e à própria força vital.
Essa energia é conhecida como O Sopro.
O Sopro está presente na vida, na natureza, nas tempestades, na água e nas pessoas capazes de manipulá-lo. A telecinese funciona como uma das bases desse sistema, mas determinadas pessoas manifestam habilidades específicas.
No caso de Marcus, sua ligação com tempestades e raios torna o despertar ainda mais intenso e perigoso.
Utilizar magia, contudo, não acontece sem consequências. O poder consome vigor e pode afetar a qualidade de vida de quem o utiliza. Quanto maior o esforço, maior o preço cobrado do corpo. Usar magia para resolver um problema pode criar outro ainda mais grave.
Marcus e Bernardo: um romance construído nos detalhes
Embora a magia movimente os grandes mistérios da trama, a relação entre Marcus e Bernardo está no coração da história.
Bernardo Campos também tem 18 anos, mas cresceu em uma realidade diferente. Sua família leva uma vida mais simples, distante da posição política ocupada pelo pai de Marcus. Essas diferenças fazem com que os dois enxerguem Quedas Douradas, suas regras e seus próprios futuros por perspectivas distintas.
A aproximação não surge como uma interrupção da aventura. O romance se desenvolve no cotidiano, nas conversas, nos silêncios e na intimidade construída aos poucos.
São os pequenos momentos que revelam a transformação: um passeio aparentemente comum, um livro emprestado, uma conversa interrompida, uma proximidade dentro da água e sentimentos que nenhum dos dois consegue explicar completamente.
A relação também permite que Marcus encontre alguém diante de quem não precisa representar o papel esperado pelo filho do governador. Com Bernardo, ele pode demonstrar medo, desejo, curiosidade e insegurança.
Ao mesmo tempo, o despertar sobrenatural de Marcus coloca essa conexão em risco. Quanto mais ele se aproxima da verdade, mais perigoso se torna permitir que Bernardo também faça parte dela.
Fantasia brasileira sem depender de castelos europeus
Um dos principais diferenciais de O Outro Lado das Águas está em seu cenário.
A história não tenta reproduzir uma fantasia medieval europeia. Em vez disso, constrói sua identidade a partir de elementos próximos à paisagem brasileira: florestas, rios, quedas d’água, pequenas comunidades, relações familiares e uma natureza que pode ser tão acolhedora quanto ameaçadora.
A magia não está guardada em um castelo distante. Ela aparece no quarto de um jovem, nos caminhos percorridos diariamente, nas tempestades e nas águas que cercam a cidade.
Essa escolha aproxima o fantástico da experiência dos personagens. Quedas Douradas não parece um mundo completamente separado da realidade, mas um lugar que poderia existir escondido em alguma região ainda não alcançada pelos mapas.
A familiaridade torna o mistério ainda mais eficiente. Se uma cidade como aquela pudesse existir, talvez também fosse possível haver alguma coisa esperando atrás de uma cachoeira.
Uma história sobre descobrir quem você é
Além da fantasia e do romance, O Outro Lado das Águas fala sobre identidade.
Marcus está em uma fase na qual precisa decidir quem deseja ser, mas encontra obstáculos em todas as direções. Existe a influência política do pai, a preocupação da mãe, o surgimento de poderes que ele não compreende e os sentimentos por Bernardo.
Sua jornada não envolve somente aprender a controlar magia. Ela exige reconhecer seus desejos, questionar as narrativas que recebeu da própria família e entender que crescer também significa escolher em quem confiar.
Bernardo participa desse processo sem existir apenas como interesse amoroso. Ele possui sua própria família, seus conflitos e uma maneira particular de enxergar a vida. A relação entre os dois se fortalece justamente porque nenhum deles tem todas as respostas.
Eles estão descobrindo juntos até onde podem ir e o que pode estar esperando do outro lado.
Para quem é O Outro Lado das Águas?
O livro pode conquistar especialmente leitores que gostam de:
- Fantasia brasileira;
- Romances LGBTQIA+;
- Sistemas de magia com regras e consequências;
- Cidades pequenas cercadas por mistérios;
- Segredos familiares;
- Florestas, cachoeiras e portais;
- Relacionamentos construídos gradualmente;
- Histórias sobrenaturais com perigos reais;
- Narrativas de amadurecimento e descoberta.
A obra é direcionada ao público adulto e contém situações de violência, tensão, sexualidade e outros temas sensíveis. Por isso, possui classificação indicativa recomendada para maiores de 18 anos.
O começo de uma história maior
A história inicial apresenta Quedas Douradas, o despertar dos poderes de Marcus, sua relação com Bernardo e a ameaça que ronda a cidade. Ao mesmo tempo, deixa sementes para conflitos maiores que poderão ultrapassar os limites da floresta.
No centro de tudo estão dois jovens tentando compreender seus sentimentos enquanto descobrem que crescer pode ser tão assustador quanto enfrentar uma criatura escondida na mata.
Porque algumas fronteiras existem para proteger quem está do lado de fora.
Outras existem para manter alguma coisa presa.
E, atrás das águas de Quedas Douradas, há segredos que estão esperando há tempo demais para serem descobertos.
Onde ler O Outro Lado das Águas?
O Outro Lado das Águas, de Guilherme Esteves, pode ser encontrado em edição Kindle na Amazon. A página da obra também indica sua inclusão no catálogo do Kindle Unlimited para assinantes elegíveis.