Existem eventos que a gente visita com uma expectativa que vai além da programação. Para o Portal Espectro, a Brasil Game Show é um deles. Há um carinho pela feira, pela oportunidade de jogar, encontrar pessoas e passar algumas horas cercado por universos que fazem parte da nossa vida.
Foi com esse sentimento que percorremos a BGS 2026. Encontramos descobertas, conteúdo para compartilhar e a satisfação de conversar com quem cria jogos. Também ficamos com a impressão de que havia espaço para algo a mais.
Estivemos na BGS 2026 para acompanhar as atrações, experimentar jogos e conversar com desenvolvedores. Esta matéria reúne nossas impressões da cobertura e um olhar sobre o que encontramos e o que sentimos falta nesta edição.
Um pavilhão que deixou a sensação de espaço por preencher
Durante nossa circulação, algumas áreas amplas sem estandes chamaram atenção. Em determinados trechos, sentimos falta de uma sequência maior de atrações que convidassem a parar, explorar e descobrir o que vinha depois.
Essa percepção está ligada à distribuição dos estandes e à variedade de atrações pelo pavilhão. Mesmo com a movimentação da feira, sentimos que alguns espaços poderiam oferecer mais oportunidades de interação e descoberta.
Para quem chega com vontade de passar o dia conhecendo jogos e diferentes propostas de estandes, esses intervalos acabam sendo percebidos. Ficou a vontade de encontrar mais atividades ao longo do percurso, ampliando as possibilidades de cada visita.
Genshin Impact e grandes espaços de marcas fizeram falta
Uma ausência especialmente sentida por nós foi a de um estande dedicado a Genshin Impact. Na lista oficial de expositores consultada, não encontramos o jogo nem a HoYoverse identificados como expositores. Para quem acompanha esse universo, faltou um ponto de encontro pensado para sua comunidade.

Também sentimos falta de uma presença mais ampla das grandes empresas do setor. PlayStation e Xbox não anunciaram estandes próprios para esta edição, segundo o levantamento publicado pelo Olhar Digital.
No caso da PlayStation, é importante fazer a distinção: a marca esteve representada na programação pelo PlayStation Tournaments. Essa participação ofereceu uma experiência diferente daquela de um grande estande com diversas estações para conhecer seu catálogo.
Sentir falta desses espaços tem relação com a expectativa de encontrar diferentes comunidades representadas dentro da mesma feira. Quanto mais possibilidades de exploração, mais motivos o visitante tem para construir seu próprio roteiro.
Houve prévias importantes, mas queríamos uma variedade maior
Nintendo, SEGA, Square Enix e Devolver Digital estiveram entre os nomes presentes. A seleção anunciada incluiu títulos como Alien: Isolation 2, Persona 4 Revival e Final Fantasy VII Revelation, além das opções oferecidas nos demais estandes. A programação contou, portanto, com novidades relevantes.
Mesmo reconhecendo essas atrações, nossa sensação foi de querer uma oferta mais espalhada pelo pavilhão, com mais grandes lançamentos e prévias para descobrir ao longo do caminho.
É uma questão de expectativa e variedade. Para alguns visitantes, a oportunidade de experimentar um título muito aguardado pode ter sido o ponto alto do evento. No nosso percurso, sentimos falta de mais momentos de surpresa entre uma parada e outra.
Os brindes também deixaram a sensação de que poderia haver mais novidades. Entre os que encontramos, percebemos opções repetidas de outras edições e sentimos falta de uma variedade maior de lembranças para quem gosta de levar um pedacinho da feira para casa.
Nos independentes, encontramos vontade de continuar explorando
A área indie foi, para nós, o espaço com mais opções que despertaram vontade de parar e conhecer. Ali, a possibilidade de descobrir um projeto se somou à oportunidade de conversar diretamente com quem está construindo aquela experiência.
A lista oficial ajuda a mostrar essa diversidade. Entre as propostas estavam A Investigação Póstuma, que parte de Brás Cubas para criar um mistério; ARIDA 2: Rise of the Brave, ambientado no sertão brasileiro; e Always with you, uma aventura com três gatos e quebra-cabeças.
Uma das nossas paradas foi Soulsworn, que jogamos durante a feira. Também gravamos uma conversa com seu criador, disponível no perfil do Portal Espectro.
Esse contato é uma das experiências mais valiosas que um evento presencial pode proporcionar. O jogo ganha contexto, o trabalho por trás dele ganha um rosto e a visita pode terminar com um novo título para acompanhar.
Os independentes merecem entrar no roteiro com tempo reservado. Foi nessa disposição de conhecer algo fora da nossa lista inicial que encontramos uma parte importante do prazer de visitar a edição.
Uma visita que ainda valeu a pena
Para nós, a BGS continuou valendo a visita. A feira ofereceu oportunidades de jogar, conhecer projetos e compartilhar o entusiasmo por videogames. Explorar os independentes e escolher as atrações que mais combinavam com nossos interesses fez diferença na experiência.
Também passamos pela DM Racer, onde algumas atividades exigiam agendamento. Foi um exemplo de como conhecer as condições de participação e organizar as paradas podia ajudar a aproveitar melhor o evento.
Ao mesmo tempo, gostar da BGS também significa desejar vê-la cada vez mais completa. Sentimos falta de mais estandes, de algumas comunidades e de uma variedade maior de grandes prévias. São expectativas que convivem com as boas experiências que tivemos.
Entre os jogos que conhecemos e as conversas que tivemos, a BGS nos deu bons motivos para estar ali. A vontade de encontrar mais nasce justamente desses encontros: sair de um estande animado e querer viver outra experiência tão interessante quanto aquela. É essa sensação de descoberta que esperamos ver ocupar cada vez mais espaço nas próximas edições.
Acompanhe o Portal Espectro para conferir nossos vídeos e descobertas da BGS 2026. E, se você também visitou a feira, conte: qual experiência marcou o seu dia e do que sentiu falta?