São Paulo volta a se transformar em uma grande sala de cinema com a chegada da 50ª Mostra Internacional de Cinema. Entre os dias 15 e 29 de outubro, o evento reúne produções de diferentes países, exibições especiais, clássicos restaurados, experiências em realidade virtual e alguns dos títulos mais premiados do circuito internacional.
Diante de uma programação tão extensa, escolher o que assistir pode se tornar uma missão. Por isso, em vez de tentar resumir centenas de filmes, selecionamos alguns dos principais destaques brasileiros e LGBTQIAPN+ que combinam com o universo do Portal Espectro.
O cinema brasileiro ocupa a Mostra
Mais de 100 produções brasileiras integram a programação da edição comemorativa, incluindo filmes que passaram por importantes festivais internacionais e obras que exploram diferentes regiões, identidades e formas de contar histórias.
Um dos maiores destaques é Feito Pipa, de Allan Deberton. O filme acompanha Gugu, um menino criado pela avó em uma pequena cidade onde as ruínas de um município submerso começam a reaparecer após anos de seca.
Vencedor do Urso de Cristal e do Grande Prêmio do Júri Internacional na seção Generation Kplus do Festival de Berlim, o longa foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027. A produção reúne memória, infância, relações familiares e identidade em uma história protagonizada por Yuri Gomes, com Lázaro Ramos e Teca Pereira no elenco.
Também merece atenção A Margem do Rio, dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias. Ambientado nos manguezais do Recife, o longa acompanha o encontro entre Izaquiel e Jeremias em uma narrativa que mistura romance queer, perigo, religiosidade e elementos míticos.
A produção venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno e representa bem a força de um cinema brasileiro capaz de unir identidade regional, fantasia e diversidade.
Para quem prefere experiências mais estranhas, Privadas de Suas Vidas apresenta uma maldição que transforma vasos sanitários em criaturas assassinas. A premissa exagerada serve de ponto de partida para uma história sobre maternidade, trauma, luto e terror existencial.
É exatamente o tipo de filme que desperta curiosidade antes mesmo da sessão começar e mostra como o cinema brasileiro também pode experimentar com o absurdo, o humor e o horror.
Narrativas LGBTQIAPN+ ganham espaço
Entre as produções LGBTQIAPN+, London chega cercado pelo reconhecimento do Queer Lion no Festival de Veneza.
Dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli, o filme acompanha um jovem queer com deficiência que trabalha realizando performances eróticas em uma casa de fetiches. Diante da possibilidade de compreender melhor sua condição por meio de um exame médico, London precisa decidir se permitirá que um diagnóstico determine seu futuro.
A produção aborda autonomia, sexualidade e deficiência ao colocar no centro da narrativa um corpo que o cinema frequentemente mantém à margem.
Outro título importante é o documentário Me Deixa Ser, dirigido por Viviane D’Avilla. A produção acompanha pessoas intersexo no Brasil, na Índia e nos Estados Unidos, discutindo identidade, dignidade e os impactos de procedimentos médicos realizados sem consentimento.
Mais do que explicar o significado de ser uma pessoa intersexo, o filme apresenta histórias pessoais e questiona as normas rígidas que ainda determinam como diferentes corpos devem existir.
Um dos grandes destaques internacionais
Entre os títulos internacionais, Amor Possível marca o retorno do cineasta sul-coreano Lee Chang-dong aos longas após oito anos.
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, o filme acompanha dois casais de realidades sociais muito diferentes cujas vidas começam a se cruzar após um funeral. Desejos escondidos, desigualdade e conflitos afetivos surgem conforme a relação entre eles se intensifica.
Com 164 minutos de duração, o longa é uma das principais apostas da programação para quem procura uma experiência mais intensa e contemplativa.
Uma edição histórica espalhada por São Paulo
A 50ª Mostra Internacional de Cinema acontece em diferentes salas, espaços culturais e equipamentos públicos da capital paulista.
Os ingressos avulsos custam R$ 26 durante a semana e R$ 32 às sextas, sábados e domingos, com meia-entrada disponível. O Circuito Spcine oferece sessões com valores populares de R$ 4 e R$ 2. As compras podem ser realizadas pelo site ou pelo aplicativo oficial do evento, conforme a disponibilidade de cada sessão.
Como salas, horários e disponibilidade podem sofrer alterações, vale consultar a programação oficial antes de sair de casa.
Entre produções premiadas, filmes brasileiros, narrativas LGBTQIAPN+ e obras que dificilmente chegariam ao circuito comercial, a edição comemorativa mostra por que a Mostra continua sendo um dos acontecimentos culturais mais importantes de São Paulo.
Agora queremos saber: qual desses filmes entraria primeiro na sua programação?