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Mil e uma formas de arruinar um casamento: rivalidade, risadas e um amor inesperado

Mil e uma formas de arruinar um casamento mistura comédia romântica, rivalidade acadêmica e uma sequência de situações caóticas em uma história leve e divertida, daquelas que conseguem arrancar boas risadas enquanto a gente torce para que dois personagens finalmente percebam o que parece óbvio para todo mundo ao redor.

Uma rivalidade que começou muito antes do casamento

Rafael e Otávio se conhecem ainda na escola. Desde o primeiro encontro, a competitividade de Otávio e sua dificuldade em se socializar transformam a relação dos dois em uma rivalidade acadêmica que atravessa o ensino fundamental, o ensino médio e chega até a faculdade.

Depois de um desentendimento no início da vida universitária, os dois passam três anos afastados. O reencontro acontece justamente no casamento do irmão mais novo de Otávio, cuja noiva escolhe Rafael como cerimonialista.

E é aí que toda aquela rivalidade começa a ganhar outra leitura. Por trás das provocações e do “ódio” que os dois insistem em sustentar existe uma tensão que torna cada interação ainda mais divertida e deixa bastante claro que talvez aquela história nunca tenha sido apenas sobre dois rivais que não conseguem se suportar.

Otávio e a arte de ser insuportavelmente carismático

Otávio foi facilmente um dos meus personagens favoritos da história.

Socialmente desajeitado, competitivo, rabugento e muitas vezes ríspido, ele provavelmente seria uma pessoa difícil de aguentar na vida real. Dentro do livro, porém, funciona muito bem. Seu jeito garante algumas das cenas mais engraçadas da narrativa, principalmente quando colocado em contraste com Rafael.

E talvez seja justamente essa dinâmica que torne os dois tão divertidos juntos. Rafael consegue trazer à tona um lado mais doce de Otávio sem fazer com que ele deixe de ser quem é. A acidez continua ali, assim como as provocações, mas ganha outra camada conforme a relação dos dois avança.

É uma combinação que funciona especialmente bem porque o livro não tenta transformar Otávio em outra pessoa para fazer o romance acontecer. Ele continua rabugento. A gente só passa a conhecer melhor o rabugento.

Mil e uma formas de arruinar um casamento, literalmente

Apesar de o romance entre os personagens ocupar boa parte da história, o casamento que dá nome ao livro está longe de servir apenas como cenário.

Otávio não gosta da futura cunhada e está convencido de que existe algo errado naquele casamento. Por isso, decide fazer o possível para impedir que a cerimônia aconteça. É daí que surgem algumas das situações mais caóticas e engraçadas do livro, envolvendo não apenas os protagonistas, mas também os personagens ao redor deles.

Essa trama paralela ajuda a manter o humor mesmo enquanto o romance avança e dá ao livro aquela sensação gostosa de confusão organizada: sempre parece existir alguma coisa prestes a dar errado.

A história ainda deixa espaço para continuar acompanhando esse universo em um segundo livro, dessa vez com foco no irmão de Otávio. Embora as obras possam ser lidas separadamente, é o tipo de detalhe que deixa aquela curiosidade de saber o que acontece com os outros personagens depois que fechamos o primeiro livro.

Um romance rápido que funciona

A escrita é leve e a narrativa em terceira pessoa flui com facilidade, o que combina muito bem com a proposta de comédia romântica.

O romance também acontece relativamente rápido, mas, para mim, isso não prejudicou a construção do casal. Rafael e Otávio têm uma história muito anterior ao reencontro que acompanhamos no livro, e os sentimentos entre eles já estavam ali muito antes de qualquer um decidir realmente encará-los.

Por isso, mesmo sendo um fast burn, não tive aquela sensação de que os protagonistas se apaixonaram de uma hora para outra. O que acontece é muito mais uma mudança na forma como eles finalmente passam a reconhecer uma relação que já vinha sendo construída há anos.

A leitura apresenta alguns erros de ortografia, algo que a própria autora atribui à ausência de uma revisão formal. Eles são perceptíveis, mas, na minha experiência, não chegaram a comprometer a história ou quebrar a imersão.

Vale a pena ler?

Mil e uma formas de arruinar um casamento é uma comédia romântica divertida, caótica na medida certa e cheia de provocações.

A química entre Rafael e Otávio funciona, mas confesso que Otávio roubou boa parte da minha atenção. Entre tentativas de sabotar um casamento, respostas atravessadas e uma incapacidade quase impressionante de admitir o que sente, ele acaba sendo uma das grandes razões para a história ser tão divertida.

O livro contém uma cena de sexo descrita de forma mais explícita e alguns palavrões, mas não é uma obra focada em conteúdo erótico. A cena íntima é pontual dentro da narrativa e faz parte do desenvolvimento da relação dos protagonistas.

Para quem gosta de rivalidade acadêmica, personagens rabugentos, fast burn e comédias românticas em que tudo parece estar a poucos minutos de dar terrivelmente errado, é uma leitura que cumpre muito bem aquilo que promete.

E, depois de acompanhar toda a confusão criada em torno desse casamento, fica difícil não ter curiosidade para descobrir o que essa família ainda pode aprontar.

Luiza Reyes
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