Uma história interrompida por um mal-entendido
Diana e Darius viveram um grande amor durante a faculdade. Enquanto ela imaginava um futuro ao lado dele, Darius construía uma carreira promissora no hóquei e estava cada vez mais perto de transformar o esporte em profissão.
Até que uma briga muda completamente o rumo dos dois. Logo após a briga, Diana descobre que está grávida e tenta contar a Darius. A resposta que recebe, porém, faz com que ela acredite que o homem que amava não apenas duvidava que o filho fosse dele, mas também não queria fazer parte daquela história.
Ela vai embora sem saber que Darius nunca recebeu aquela notícia da maneira como imaginava.
Anos depois, Diana construiu uma vida ao lado do filho, Ezra. Ela agora vive em sua cidade natal, onde encontrou uma verdadeira rede de apoio. Darius seguiu sua carreira e se tornou um jogador conhecido, sem fazer ideia de que era pai.
Os caminhos dos dois voltam a se cruzar quando ele chega à cidade para participar de um projeto com um time infantil de hóquei e conhece um garotinho que, por uma coincidência bastante cruel, é também um de seus maiores fãs.
Darius só ainda não sabe que aquele menino é seu filho.
Uma segunda chance que funcionou para mim
Eu não costumo ser a maior fã de romances de segunda chance. Muitas vezes, fico com a sensação de que, se duas pessoas já tentaram construir uma relação e aquilo não funcionou, talvez seja melhor simplesmente seguirem suas vidas.
Mas Invicto funcionou para mim justamente porque Diana e Darius não se separaram por descobrir que eram incompatíveis ou porque o relacionamento se desgastou. Os dois passaram anos acreditando em versões completamente diferentes do que havia acontecido.
Diana acreditava ter sido abandonada grávida pelo homem que amava. Darius, por outro lado, nunca soube da existência do filho e não entendia por que Diana havia desaparecido de sua vida.
Quando finalmente descobrem a verdade, esclarecer o mal-entendido não é suficiente para apagar todas as consequências dele. Diana precisou construir uma vida sem Darius e carrega a mágoa de tudo que acreditou ter acontecido. Ele precisa lidar com a descoberta de uma paternidade que jamais teve a oportunidade de exercer.
Por isso, gostei de o livro não tratar a revelação como uma solução instantânea. Descobrir a verdade é apenas o começo.
Um pai que não pretende perder mais tempo
A relação entre Darius e Wes foi facilmente uma das partes mais bonitas da história para mim.
Antes mesmo de saber que Darius é seu pai, Ezra já o conhece como seu grande ídolo do hóquei. Quando a verdade aparece, Darius não hesita sobre o lugar que quer ocupar na vida do filho. Ele quer conhecê-lo, participar de sua rotina e construir uma relação com aquela criança que acaba de descobrir.
Também gostei muito de como Diana lida com isso. Toda a raiva que sente de Darius não é colocada acima da relação entre pai e filho. Mesmo machucada e ainda sem saber se consegue confiar nele novamente, ela entende que a criança merece a oportunidade de conhecê-lo.
E Ezra acaba se tornando uma peça muito fofa nessa aproximação. Enquanto os adultos ainda estão tentando entender o que fazer com tantos sentimentos e mágoas, ele está simplesmente muito feliz por descobrir que seu ídolo agora faz parte de sua vida e não vê problema nenhum em ajudar Darius a reconquistar a mãe.

Reconquistar é diferente de simplesmente voltar
Se existe uma coisa que Darius não está disposto a fazer depois de descobrir a verdade, é desistir facilmente. Não basta dizer a Diana que ainda a ama. Ele precisa mostrar que pode estar presente, respeitar os limites que ela estabelece e, principalmente, reconstruir uma confiança que foi quebrada.
Diana também não facilita as coisas só porque ainda existem sentimentos. Ela é uma personagem forte, que criou o filho praticamente sozinha e ainda precisou lidar com a perda da própria mãe. Sua vida foi construída sem Darius e ela não vai simplesmente reorganizar tudo porque ele reapareceu.
Ao mesmo tempo, ela não esteve completamente sozinha. As amigas que construiu naquela cidade estão presentes durante toda a história, seja ajudando com Ezra, oferecendo suporte ou simplesmente protegendo alguém que aprenderam a considerar família.
Essa rede de apoio foi outro aspecto de que gostei bastante. A vida que Diana construiu não parece existir apenas como uma sala de espera até Darius voltar.
Quando proteger também pode significar esconder demais
Nem tudo funcionou igualmente bem para mim, o livro ainda recorre em alguns momentos a uma coisa que costuma me irritar bastante em romances: personagens decidindo esconder informações porque acreditam que estão “protegendo” a outra pessoa.
Eu entendo a intenção e, dentro da trama, existem motivos para Darius querer preservar Diana e Ezra da exposição que acompanha sua carreira. Diana, inclusive, deixa claro que não quer transformar o filho em assunto público apenas porque o pai é um jogador famoso, e gostei de como esse limite é respeitado.
O problema aparece quando proteção começa a se aproximar demais da falta de comunicação.
Felizmente, não senti que o livro prolongou esse conflito a ponto de estragar minha experiência. Ele me incomodou, porque esse tipo de recurso quase sempre me incomoda, mas não foi suficiente para apagar tudo que eu estava gostando na construção daquela família.
Vale a pena ler?
Invicto, de Brooke Mars, conseguiu uma coisa que não acontece com tanta frequência comigo: me fazer gostar de uma história de segunda chance.
Diana e Darius não estão simplesmente repetindo uma relação que já fracassou. Existe uma verdade que os dois desconheciam e, quando ela finalmente vem à tona, precisam decidir o que fazer com os sentimentos, as mágoas e a vida que construíram enquanto estiveram separados.
Gostei muito de Diana, da força com que construiu uma vida para ela e para Ezra e, principalmente, de ela não perder essa força quando Darius reaparece. Também gostei da persistência dele, não apenas para reconquistá-la, mas na maneira como abraça a paternidade desde que descobre a verdade.
Invicto tem mal-entendidos e algumas decisões que poderiam ser resolvidas com um pouco mais de comunicação, algo que normalmente me faria perder a paciência. Ainda assim, dessa vez, isso não foi maior do que aquilo que funcionou para mim.
Talvez porque a segunda chance de Diana e Darius não seja simplesmente sobre recuperar o relacionamento que perderam, mas descobrir se ainda existe uma história que vale a pena construir juntos.